quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Oi tio, me dá uma bala?

Foi no semestre passado. O ônibus da faculdade estava voltando e sentou-se do outro lado do corredor um cara com um pacote de balas de goma, aquelas de minhoca. Bem, eu adoro essa bala e óbvio que senti vontade de comer e mais óbvio ainda não tinha um pacote daqueles. Não sou o tipo de pessoa cara-de-pau ou totalmente impulsiva. Sei que quando me dei conta, estava virada pra trás, gritando para os meus amigos:
-Oi, alguém tem bala de goma?
Claro que foi uma indireta pro cara que tinha o pacote das balas. Ele olhou pra mim com uma cara de quem não gosta muito de compartilhar as coisas com estranhos e disse:
-Quer uma bala?
Eu peguei umas 5.
O fato é que ontem estava eu sentada na minha poltrona e o ônibus estava lotado. O cara das balas é sempre o último a entrar no ônibus, logo se viu obrigado a sentar-se do meu lado. Depois de cinco minutos tirou um pacotinho de bala, não as que eu gosto, e me ofereceu. Eu não aceitei. Depois fiquei pensando que na primeira vez que o cara me ofereceu bala ele devia ter pensado que eu era louca ou hipoglicêmica pelo modo como gritei. Pensei que fui burra negando da segunda vez. Eu podia ter dito:
-Aceito sim porque sou hipoglicêmica e, sabe como é, não tenho dinheiro pra comprar doce todo o tempo.
Quem sabe o cara teria se comovido e na próxima vez que me encontrasse me daria unm pacote de balas daquela que eu gosto.
Fui burra.

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Atoa.

Aí tem essa menina chata que vai de ônibus comigo pra faculdade. E infelizmente volta. Ela grita o-tempo-todo no caminho. As pessoas que querem dormir se sentam na frente. A parte de trás do ônibus fica pra quem bebe cerveja e conversa. Quem quer ler geralmente senta no meio. Aí ela sente na frente ou no meio pra conversar. Só que ela não conversa, ela grita. Ri o tempo todo, fala de coisas idiotas o tempo todo e não se toca o tempo todo.
Esses dias tinha apresentação de trabalhos na aula de segunda. Cada grupo tinha que apresentar de um modo diferente o que havia entendido de determinado texto. Vídeos, teatros e cartas. Descubro que a menina gritalhona do ônibus é minha colega de segunda. Ela vai até o quadro da sala de aula, desenha um cruz e ao invés de falar "ateu" fala "atoa".
Bem, nunca tinha passado pela minha cabeça que ela seria inteligente.

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Final do primeiro semestre na faculdade, palestra sobre fotografia, sala lotada. Sento na minha cadeira desconfortável e pego o livro "O Colecionador", John Fowles, para ser finalizado. Leio duas páginas e o barulho se torna insuportável. Olho para o corredor e a vejo.
Sim, era a Miranda. Cabelo loiro virgem e comprido, olhos doces, roupas limpas e um sorriso extremamente encantador. Não a vejo no final da palestra, as férias chegam e o segundo semestre começa. Primeira aula, segunda classe: Miranda. É claro que eu sorri. Pensei que por traz daquela perfeição física haveria um pouco de inteligência. Como é triste ter que falar que o meu conceito "pessoas exageradamente bonitas não são inteligentes" nunca poderá ser mudado. Miranda abriu a boca apenas no final da aula, meias palavras, achei estranho.
Procurei seu nome na comunidade da faculdade e encontrei. Ela tem fotos semi-nuas no orkut, escreve "quem eu sou" em rosa com erros ortográficos que dão pontadas no coração além de ter uns recados de vadia.
Desisti da Miranda. Na mesma turma da aula de segunda, apareceu uma Gabriela. Gabriela, morena, baixinha, magra, moletons de caveiras e inteligente. Desafia a professora, canta durante a aula e senta com a menina da boina. Começo a observá-la. Três semanas depois descubro que no semestre passado ela era patricinha, usava rosa e falava enrolado. Na semana passada ela começou a namorar um cara que usa moleton dos Backyardigans, o mesmo que eu pensava ser homossexual.

Desisto.


quarta-feira, 26 de maio de 2010

Talvez seja por isso que eu odeie novelas.

Coincidência ou não, desde que comecei a pintar o cabelo surgiram novelas e eu era sempre acusada de copiar os figurinos (cabelos, ok).
Na sétima série, depois de ter feitos luzes e etc e tal, resolvi pintar as pontas do cabelo de vermelho. Não lembro, de fato, o porquê. Dois meses depois estreou a novela "Alegrifes e Rabujos" (sim, pesquisei no google, claro que eu não ia lembrar o nome). A protagonita tinha as pontas do cabelo pintadas de vermelho. Logo todo mundo começou a me chamar pelo nome dela (que eu não lembro) e a dizer que eu tinha "copiado" o seu cabelo. Não apenas conhecidos me chamavam pelo nome dela, mas desconhecidos que nunca tinham me visto antes mexiam comigo na rua.


Desisti. Era muito esgotante ficar tentando explicar para as pessoas que eu.não.tinha.copiado.o.cabelo.de.uma.pirralha, sem contar as discussões com desconhecidos. Aí na oitava série resolvi pintar a parte de baixo do cabelo e a franja de preto. Tudo ótimo nos primeiros meses. Foi aí que a Avril Lavigne resolveu aparecer com o cabelo "parecido". E claro que novamente eu tive a fama de "sem criatividade", ainda mais porque eu gostava dela, na época. Foi um tanto pior do que na vez anterior.


Meu cabelo ficou assim durante uns quatro meses, no máximo. Não sei da onde surgiu a vontade (ou a ideia) de pintar a franja de vermelho. Isso faz quatro anos, já. Bem, eu pintei. Na época não existia atriz ou cantora que pudessem me comparar. Foram meses tranquilos, onde eu não tive fama nenhuma de cópia. Foi aí que estreou "Rebelde". E não sei da onde tiraram que meu cabelo era parecido com o da Roberta (ou vice-versa). Minha franja era vermelha, ela tinha apenas umas mechas estranhas que nem de longe lembravam de mim. Triste e catastrófico. Eu odiava Rebelde.


No ano seguinte, quis mudar. É que toda vez que o ano começava eu tinha que mudar o cabelo. Mania. Pintei todo o cabelo de vermelho. A Roberta também resolveu mudar e pintou o cabelo de vermelho. O tom era diferente, mas mesmo assim insistiram. Eu era a Roberta da escola, do bairro, da cidade. Desconhecidos me chamavam de Roberta e eu tinha que engolir isso ou jogar um tijolo na cabeça de alguém.


Logo voltei pra minha franja vermelha e pro meu cabelo castanho normal. Já que a Roberta estava com o cabelo todo vermelho, pelo menos ninguém mais ia me "confundir com ela".
Eu podia dizer que depois disso veio a época dos "emos", mas realmente não estou com vontade de falar sobre isso ou pesquisar fotos deles. Enfim, já são quatro anos com o cabelo assim, não mudei mais e sou muito feliz. Posso dizer que no ensino médio umas vadias resolveram copiar o meu cabelo, mas não vale a pena. Um beijo.

sexta-feira, 30 de abril de 2010

A menina que parecia a Amélie Poulain cortou o cabelo que nem o da Amélie Poulain. Mas tudo o que ela consegue parecer, agora, é um travesti.
Por que, diabos, ela se acha tão superior? Ontem estava com um sapato tão horrível que meus olhos doeram. Acho que ela é uma vadia. Pronto, falei.

Colheita feliz me deixou infeliz.

Quarta, eu super concentrada estudando no ônibus, indo pra faculdade, tive que ouvir a seguinte conversa (trecho):
-É, precisei de três dias pra ganhar uma plaquinha.
-Tem que colher todo dia né? Tenho melões e mais uns legumes lá.
-Tem que colher todo dia sim, alguns legumes demora mais tempo pra se conseguir.

Pessoas de 30 anos falando de colheita feliz indo pra faculdade. E isso foi metade do caminho. Achei que ia surtar. Acabei por não conseguir estudar. Aquilo realmente mexeu comigo. Onde está a dignidade das pessoas?

E eu que tinha vergonha do meu sanduíche de atum.

Esses dias, voltando da faculdade, estavam comendo umas bolachas nos bancos de trás do ônibus. Aí um dos garotos fala:
-Uma vez eu trazia bife pra faculdade. Mas tinha que ser uns dois, três, senão nem matava a fome.
Eu levo sanduíche de atum de vez em quando e sinto vergonha. Depois dessa nunca mais vou ter vergonha. Não que eu tenha algum tipo de preconceito com quem leva bife pra faculdade, sabe. É que é tão... er, isso mesmo.